SILVA, Márcio Antunes da. Assistente social e tecnologias de informação. Serviço Social em revista. Londrina, v. 6, n. 1, 2003.No artigo “Assistente social e tecnologias de informação”, Márcio Antunes da Silva aborda o conceito de tecnologias de informação nos processos produtivos para chegar em seus rebatimentos no Serviço Social, pois como qualquer outra, é uma profissão construída historicamente, recebendo e exercendo influência durante seu processo de constituição.
Para tanto, Silva inicia situando o Serviço Social como uma profissão constituída e localizada em um contexto histórico e social. A partir de Marx o autor contextualiza a dinâmica econômica, política e jurídica da sociedade. A tecnologia, no modo de produção capitalista tornou-se um suporte essencial ao desenvolvimento.
Em análise da tecnologia de informação, Márcio propõe uma discussão baseada em dois autores. Pautado em Castells o autor diz que o uso e aperfeiçoamento das tecnologias servem às necessidades do capitalismo. E, segundo Lojkine, informação pode ser considerada uma mercadoria, portanto, existe uma co-relação entre homem e máquina que possibilita o que ele denomina de revolução informacional.
Ao pensar sobre os pontos positivos e negativos do uso e aprimoramento da tecnologia da informação, Silva situa o assistente social na dinâmica do seu trabalho fazendo uso de sistemas, softwares, internet. De acordo com o autor não é possível negar o que está posto. A tecnologia existe e facilita o trabalho, além de representar meios de favorecer os usuários de serviços que este profissional administra. Mas o uso de todas essas comodidades tecnológicas deve ser acompanhado de leituras críticas. Não só para que se possam divulgar as discussões que envolvem a prática profissional, mas também do que ocorre no espaço onde ela está alocada e a sociedade da qual ela faz parte.
As tecnologias de informação devem ser apreendidas pelos profissionais de Serviço Social, caso contrário, como diz o autor, estes serão engolidos por elas. Mas eles devem fazê-lo de forma crítica, pois certamente essas tecnologias surgiram para servir ao capitalismo e facilitar sua reprodução.
Além disso o Assistente Social não é mero operador de ferramentas e instrumentos. Ao utilizá-los é preciso ter em mente o objetivo da ação embasado teórico metodolígico e éticamente, para que ela reflita em benefícios para a população usuária de seus serviços.
Assim como qualquer fundamento da profissão, a apropriação da tecnologia da informação deve ser compreendida a partir de uma conjuntura e a análise do porquê usar, para quê usar ferramentas tecnológicas é tão necessária quanto a compreensão da forma que isso deverá ser feito.
