O jornalista Lula Falcão, no começo deste ano, publicou, pela editora Bookess, o livro intitulado “Todo dia me Atiro do Térreo – #tuiteira”. O livro surgiu a partir de um personagem fictício, Maria Lúcia, que foi criado por Falcão para exposição em seu twiter e blog. Ele conta que as situações vivenciadas pela personagem são baseadas nas suas experiências no twitter e outras redes sociais.
Os textos presentes no livro seguem o formato das postagens no twitter, sucintos e diretos e contam as desventuras de Maria Lúcia, que apesar do sucesso da vida virtual super badalada – mais de mil seguidores no twitter – tem como vida real (se é que se pode dizer assim) um fracasso.
Lula relata que ficou cerca de seis meses publicando posts no twitter e no seu blog – lulafalcao.blogspot.com – para depois de juntar tudo e reescrever algumas coisas, publicar o livro.
Os relatos de Maria Lúcia da forma que são feitos retratam como está a realidade, como ela se apresenta para a sociedade em geral, de forma mastigada, com justificativa da facilidade, textos rápidos, notícias curtas, sem muita informação e conteúdo.
Qual é, então, o motivo de um livro, que conta aventuras de uma personagem, que muitas vezes pode até estar incentivar seus leitores – “prefiro morrer de vodka do que de tédio” seria um post que Maria Lúcia escreveria (ou retwitaria) – a fazer tanto sucesso? E ainda, porque um blog virou um livro?
A resposta esta na própria realidade e mundo que vivemos. O livro só foi possível porque atende a cultura de hoje, porque as pessoas gostam de ficção, é atrativo. A criação do autor foi baseada no que hoje está em alta, as redes sociais. Por isso o sucesso, pois atende a demanda, vincula o mundo virtual à livros. É, de fato, um livro, mas ele não abandona o formato da internet e é destinado, por certo, ao mesmo público.
A seguir, um trecho do livro
"@As vezes sonho que estou cheia de Chagas pelo corpo, em plena Idade Média, me arrastando por um daqueles lugares lamacentos e escuros, uma fogueira acesa, logo adiante, uma pequena multidão gritando: “queima, queima!”. Acordo e a sensação ruim não passa, não há alívio. O nome disso é ressaca. Nessas horas, só consigo querer uma coisa: morrer. Não vou dar fim a vida, porque tenho mais de mil seguidores no twitter. Não sou de deixar ninguém na mão. Quer dizer, ontem deixei, mas isso e coisa de sexo virtual. Deixa pra lá."

Realmente, as pessoas hoje gostam de ficção e ao mesmo tempo, reflexo do mundo em que vivemos, gostam do rápido, do atualizado... Juntar a ficção de um livro com a dinamicidade da internet, blogs, twitter é um prato feito!!
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