O texto apresenta várias formas de se interpretar as tecnologias sobre o prisma das ciências sociais, buscando compreender como elas rebatem na realidade social, os benefícios e dificuldades que as envolvem e não apenas as tecnologias em si. A autora faz esse caminho pois compreende que a análise dessas tecnologias é fundamental para desvendar como a sociedade se estrutura hoje. Isso se dá porque as tecnologias são fruto de uma construção dos homens, sofrendo e exercendo influência nos diversos sujeitos e situações.
Mesmo assim, dentre as teorias de explicação das tecnologias que Tapajós apresenta, autores como Lewis Munford não a consideram como um fato social, mas meramente técnico, ignorando toda a trama de interesses e sentimentos que a envolvem.Falando das tecnologias ao se explicar a realidade a autora expõe basicamente duas linhas diferentes de autores que se dedicam a compreendê-las. Uns a vêem com otimismo, defendendo a virtualização do mundo e sua irreversibilidade. Nessa frente de explicação, autores como Joel de Rosnay, defendem o surgimento de uma nova humanidade virtualizada, em que a identidade das pessoas será construída através de sua relação com o computador, processo esse que já se verifica atualmente com as redes sociais e o impacto que trazem consigo.
Existem outros autores mais conservadores, que analisam a sociedade atual de outra forma. Eles consideram as tecnologias extremamente maléficas à humanidade, pois resultam em perversos efeitos morais, políticos e culturais. Um dos expoentes dessa concepção é Paul Virilio, o qual denuncia o desaparecimento da realidade através do surgimento das tecnologias, havendo uma devastação teórica, moral e cultural da sociedade.
Frente a esses que atestam o fim da história, dizendo que as clássicas teorias não dão conta de explicar essa realidade iminente, a autora argumenta que são essas teorias (ao mesmo tempo antigas e atuais) as vigas mestras para desvendar tal realidade.
Em concordância com a autora, entendemos que as tecnologias interferem grandemente na vida das pessoas. Em vista disso, o Serviço Social não pode permanecer estanque a esse debate, pois só pode compreender o homem dentro de um contexto e, como já ressaltado anteriormente, as tecnologias fazem parte do mundo de hoje e é impossível desvendá-lo sem compreendê-las.
Ao discutir as tecnologias não se trata simplesmente de defendê-las ou criticá-las, é preciso lançar-lhes um olhar crítico, pois seu próprio surgimento está imerso em uma trama de interesses burgueses e servem para reproduzir a sociedade tal qual se apresenta.
De fato as tecnologias trouxeram grandes benefícios e facilidades aos homens. Por outro lado é preciso analisar o dano que trazem consigo. Ao mesmo tempo em que a comunicação se tornou mais ágil e fácil, a vida se torna um espetáculo veiculado em tempo real, verifica-se uma banalização e naturalização das situações que não são naturais. Ao mesmo tempo em que houve a possibilidade de acesso a diversas informações, serviços e produtos, as tecnologias são a causa de uma nova forma de segregação: a exclusão digital. Ao mesmo tempo em que cria novas profissões, abrindo vagas no mercado de trabalho, deixa obsoletos milhares de trabalhadores. Além disso acirra cada vez mais o individualismo dos trabalhadores (com os home office, por exemplo), desmobilizando-os e minando qualquer possibilidade de luta pela ampliação dos direitos.
Concluindo, analisamos que debates como esse que a autora nos apresenta são essenciais para a profissão, pois é somente na reflexão cotidiana e contínua sobre temas, demandas e situações que se apresentam ao assistente social, dentre eles as tecnologias, que o profissional pode superar o pragmatismo e construir uma postura profissional ética.

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